Abril 27, 2009 às 1:16 pm (Livros)

Terminei há uns dias “O Tigre Branco” de Aravind Adiga e devo dizer que tudo o que é dito sobre esta obra é verdade. Para quem o lê é difícil imaginar que este é o primeiro romance do autor, tal a maturidade da escrita, a consistência da história e o desencadeamento dos acontecimentos.
A narração é feita na primeira pessoa, através do próprio “Tigre Branco”, numa conversa fictícia com o primeiro-ministro chinês de visita à Índia. A história que conta desenrola-se desde a sua infância numa das zonas mais pobres da Índia, até ao seu estabelecimento como empresário de sucesso em Bombaim. No entanto, esta não é uma história cor de rosa e romanceada, nem a Índia que nos é dada a conhecer é aquela que idealizamos nos cartazes turísticos das agencias de viagem. Este livro desnuda a realidade indiana, escondida por detrás dos panos da modernidade. Uma Índia que vive e se governa com base da exploração de uma grande fatia da população, encurralada num sistema que os aprisiona num “galinheiro” do qual é impossível escapar. E isto tudo não por falta de oportunidades mas sim porque neste país a pobreza, mais que física, é mental. As pessoas são mantidas na ignorância, sujeitando-se a regras cruéis e é este processo que torna este país no mais actual caso de sucesso tecnológico e de empreendorismo.
A escrita de Aravind Adiga é simples e fluida, cheia de ironia e com laivos de um humor negro como as águas contaminadas da Mãe Ganges. È um livro que nos faz repensar a Índia mas também todo o mundo ocidental civilizado.
Um livro sem dúvida a não perder.
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Abril 22, 2009 às 9:58 pm (BD, Banda Desenhada)
Um dos meus quadros preferidos…

Versão Mutts

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Abril 8, 2009 às 1:29 pm (Livros)

Em relação a este livro, devo começar por dizer que em criança era uma grande fã do filme. O livro fui encontrá-lo numa prateleira de um alfarrabista que existia no Rossio, junto ao Coliseu, e que infelizmente já fechou… A coincidência engraçada é que o livro começa exactamente assim, com Bastian (o personagem principal) a roubar (como é obvio eu comprei) exactamente o livro da história interminável num alfarrabista.
Em relação à história em si, adorei. É difícil fazer um resumo sem contar toda a história e estragar a surpresa, no entanto, posso dizer que este foi um livro que tive pena de não ter lido enquanto criança, porque é um verdadeiro livro de histórias encantadas de príncipes e princesas, dragões e guerreiros. Mas é muito mais que isso e lendo-o enquanto adulta permitiu-me compreender a verdadeira mensagem do autor.
Basicamente este é um livro que nos recorda de sermos crianças e da magia que se perde à medida que vamos crescendo porque nos afastamos de “Fantasia”. Ensina-nos também que devemos ter muito cuidado com os nossos desejos e ambições. Bastian segue de desejo em desejo em busca do seu verdadeiro caminho. Também nós nas nossas vidas definimos objectivos que vamos alcançando, e no fundo, os nossos objectivos não são muito diferentes dos de Bastian: força, coragem, admiração, beleza, inteligência, poder… e tal como Bastian, muitas vezes o alcançar dos nossos objectivos não nos trás o que esperamos e apenas nos faz querer mais e mais fazendo-nos trair aqueles que mais gostamos e esquecer aquele que deve ser o nosso maior desejo: o desejo de amar e é exactamente essa a grande mensagem do livro.
Em relação a isto, o aviso que o escritor nos deixa é que, à semelhança de Bastian, podemo-nos perder pelo caminho e acabar na cidade dos antigos imperadores, ou seja, esquecermo-nos de quem realmente somos e dedicarmo-nos obsessivamente a actividades desprovidas de verdadeiro sentido (não vos recorda por vezes a obsessão com o trabalho?!)…
Este é de facto um livro fantástico, que nos faz sonhar e repensar a nossa atitude no mundo. Aconselho muito!
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