“O Japão é um lugar estranho” de Peter Carey


Finalmente terminei “O Japão é um lugar estranho” de Peter Carey.

Numa edição portuguesa esteticamente muito bem conseguida, é nos relatado como um pai, neste caso o próprio Peter Carey, é despertado para a nova cultura japonesa pelo seu filho adolescente, levando-os a uma viagem pelo Japão moderno mas pouco convencional.

Devo dizer que gosto de ver um ou outro filme anime e tenho uma pequena paixão pela cultura japonesa, sendo esta uma das razões que me levaram a comprar este livro. Outra foi o destaque que mereceu no blog da livraria Pó dos Livros que tento acompanhar regularmente.

No entanto, talvez pelas expectativas serem tão elevadas, fiquei um pouco desiludida… Praticamente apenas os temas do anime e da manga japoneses são abordados o que, penso, limita um pouco livro, e por fim, a obra não trás realmente nada de novo, o autor não consegue compreender aquele Japão fechado e misterioso, e muito menos nós, que ficamos com a mesma sensação de vazio e ignorância que, na minha opinião, não é o que se pretende de um livro.

No entanto nem tudo foi mau, e para os verdadeiros apreciadores do género, talvez tenha o seu interesse.

Das minhas passagens preferidas, destaco a visita ao artesão de espadas samurai (embora mais uma vez aqui as explicações são vagas e incertas) e uma descrição dos violentos ataques Americanos ao Japão durante a segunda guerra mundial. Esta passagem em particular impressiona, porque nos recorda que os supostos “polícias do mundo” foram a única nação a utilizar a bomba atómica e que na guerra milhares de inocentes são arrastados para um destino que nada lhes diz…

Só uma nota final, o autor foi premiado anteriormente duas vezes com o conceituado prémio Booker Prize, com os livros “Óscar e Lucinda” e “A Verdadeira História do Bando de Ned Kelly”. Esta foi a primeira obra do autor que li e penso dar-lhe o benefício da dúvida, experimentado uma das duas obras premiadas.