“A Vida Nova” de Orhan Pamuk

vida-nova.jpg

Acabei agora de ler o livro A Vida Nova de Orhan Pamuk, prémio Nobel em 2006.
O que me fez interessar à primeira vista por este livro não foi tanto o prémio mas mais a primeira página do primeiro capitulo onde a frase inicial “Um dia li um livro e toda a minha vida mudou” prometia…

A verdade é que, passado o capítulo inicial comecei a duvidar da primeira impressão e com o desenrolar de toda a história acabei por não conseguir perceber o porquê da atribuição do prémio Nobel. De início pensei que fosse falta de capacidade de entender o livro mas numa consulta pela Internet vejo que há mais pessoas a partilharem da minha opinião. Penso que as imagens invocadas no livro são demasiado “batidas”, apesar de entrar um pouco no road story não me senti a viajar e a descobrir a Turquia como aconteceu por exemplo na Montanha da alma de Gao Xingjian (Nobel em 2000) relativamente à China, não percebi se o “heroi” da história seria a favor ou contra a invasão do Oriente pelo Ocidente com as suas marcas e costumes, senti que a historia se auto-contradizia em algumas partes e não percebi aquela obsessão final pelo escritor russo Tchékhov…

Tem no entanto a mais bonita definição de Amor que li até hoje e sem querer parecer demasiado lamechas vou transcrever:

“O Amor é a necessidade de abraçar com muita força alguém e de querer estar sempre do seu lado. É o desejo de esquecer o mundo exterior quando se abraça esse alguém. È a necessidade de descobrir um refugio seguro para a alma.”

Espero não ser mal entendida, o livro não é totalmente intragável mas é um livro que se lê sem deixar marca, prometendo mais do que acaba por oferecer na minha opinião.

Anúncios

6 comentários

  1. Arlete Pinto said,

    Setembro 18, 2007 às 12:03 pm

    Ola! Também, li o livro, e confesso que a cada pagina que lia, ficava um pouco deprimida! Ainda bem que existe gente neste mundo que compartilha da mesma opinião! Obrigada. Sorriso

  2. tanialucas said,

    Setembro 18, 2007 às 9:51 pm

    Compreendo-a perfeitamente!
    E para piorar, no meu caso, um dia numa viagem de autocarro, enquanto lia o livro, reparei num papel de rebuçado no chão do autocarro com a frase “Vida Nova”, como aqueles descritos no livro. Devo dizer que foi uma das coincidências mais estranhas que me aconteceram… por breves segundos fiquei aterrorizada com a ideia da ficção daquele livro estar a invadir a minha realidade…

  3. Pedro said,

    Março 14, 2010 às 4:53 pm

    Pois eu adorei o livro! Marcou-me o final, marcou-me essa depressão, marcou-me a visão do que é a Vida…

    Tânia, isso aconteceu-te mesmo? O.o que estranho…

  4. MJL said,

    Julho 5, 2010 às 2:52 am

    Gostei de encontrar este post. Ainda só li os dois primeiros capítulos, a primeira impressão é muito positiva. Não sei mas parece-me ser um livro para ler despido, como tudo o que soubessemos não contasse. Foi esse o apelo que depreendi nas primeiras páginas. Há um livro que procuro há muito, pode ser uma ideia de livro mítico mas também uma quase inocente recriação da minha parte, tipo um “faz de conta” que é permitido. Por outro lado há um lado nada inocente – uma necessidade imperioras de voltar a sentir tudo que existe. O grande e o pequeno. Sentir e habitar tudo que se mexe, tudo que permanece na quietute, já não para descobrir prazeres exaltados mas talvez para sobreviver de uma forma que atraia a própia vida.
    Delicioso o pormemor do rebuçado da Tania Lucas. E curioso também que os vossos comentários me parecem algo vindo também do universo do livro, incluindo a parte depressiva, também as senti extranhamente logo nas primeiras linhas, essa noite que acompanha sempre a busca da novidade.

    Ah, e ainda não cheguei lá, mas não há nenhum escritor que me fale tanto ao sentimento como o Tchékhov. Uma curiosidade interessante para quem, como eu, decidiu “por decreto” que este livro é especial ainda antes de o ler.

    Enfim! Estranhezas que lembram as coincidências do universo de Paul Auster.

  5. filipa said,

    Setembro 8, 2011 às 8:39 pm

    discordo totalmente desta review. na minha óptica o livro é excelente, deixa marcas sem precisar de artifícios de escrita. a escrita é simples e quase ‘invisível’ para deixar o conteúdo vir à vida. é absurdo e estranho, mas muito interessante e poético… parece-me um livro bastante político, na medida em que pensa as tais tensões entre ocidente e oriente, tradição vs. capitalismo etc. mas não o é de uma forma literal, é político mas muito subtil, tão subtil que quase parece ‘apolítico’. acho que esse tipo de livros são muito interessantes, aqueles que parecem ‘não querer ensinar nada ao leitor’, que não têm moral. aí há uma liberdade interpretativa maior.

  6. filipa said,

    Setembro 8, 2011 às 8:43 pm

    não esquecer que o livro se chama precisamente ‘a vida nova’, como o livro dentro do livro 🙂 é, por isso, pertinente, que também ele mude a vida de alguns leitores…


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: