“Os Versículos Satânicos” de Salman Rushdie

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Não, este livro não vos vai roubar a alma e muito menos pôr-vos a fazer algum ritual excêntrico com galinhas pretas e muitas velas. Pelo contrário, este livro vai lembrar-vos a importância das vossas raízes e de quem realmente são.

O livro é na realidade um conjunto de várias histórias aparentemente muito diferentes. Temos a história do Sr. Saladin Chamcha, um actor de origem indiana, protagonista de uma série inglesa estilo Teletubbies que depois de um aparatoso acidente de avião se transforma num demónio; o Sr. Gibreel Farishta, actor de sucesso indiano que vai iniciar a sua carreira em solo Britânico e que, depois do mesmo acidente aparatoso, se transforma no próprio anjo Gabriel; a historia de Jahilia, a terra Natal do profeta Maomé, contado no tempo de vida do próprio; Yesha, uma pobre órfã encantadora de borboletas e que consegue arrastar consigo uma vila inteira numa peregrinação; a família Surfyan, proprietária de um café indiano, Shaandar, em Londres; a alpinista Alleluia Cone que chegou ao cimo do monte Evareste; e uma infinidade de outras historias igualmente loucas, excêntricas e dispares…

A verdade é que, acreditem ou não, todas estas histórias estão intimamente ligadas, de uma forma que faz todo o sentido, mesmo que para algumas a relação apenas seja compreendia perto do final.

Sobre a minha opinião pessoal acerca do livro, adorei… este livro dá-nos um olhar sui generis sobre a Índia, aborda o tema da emigração, mas é no fundo um livro sobre o bem e o mal que há em todos nós. Nenhuma destas personagens, tal como qualquer ser humano, é verdadeiramente boa ou má. Tal como nós estas personagens erram, acertam, acreditam ou resistem, e apesar de o livro envolver anjos, demónios e outras excentricidades, todas e cada uma destas personagens são incrivelmente reais e humanas.
É um livro magnífico, com um estilo inconfundível, o próprio texto cheio de interjeições, cantigas disparatas e onomatopeias tornam esta obra única.

Para quem não sabe, Salman Rushdie, foi há uns tempos condenado à morte pelo Ayatollah Ruhollah Khomeini, líder do Irã, por ter escrito este livro, mantendo-se exilado em Inglaterra. A sua condenação deteve-se precisamente por ter tornado o próprio profeta Maomé tão humano e também pelo argumento do costume, “blasfémia contra o Islão” e tal… Entretanto a sentença foi retirada e o Sr. Salman Rushdie deixou de ter a cabeça a prémio…

Um último concelho antes de terminar, este livro deve ser lido com muito tempo livre, por exemplo durante umas ferias, pois o facto de conter tantas histórias misturadas e grande parte dos personagens ter nomes indianos totalmente impronunciáveis para nós, pode-se tornar confuso se houverem grandes interrupções durante a leitura…

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6 comentários

  1. Julho 2, 2007 às 3:53 pm

    […] no blog Mundo Pessoa a noticia de que Salman Rushdie recebeu o título de cavaleiro do Império Britânico no passado dia 16 de Junho. É uma óptima […]

  2. magma said,

    Julho 6, 2010 às 8:11 am

    Acabei de ler este “post” e não posso deixar de apontar dois erros que nem mesmo o acordo ortográfico deixa em claro. Ora vejamos o último parágrafo:

    ” Um último concelho…(…)” – Aqui não é concelho mas sim conselho, pois que concelho é uma realidade administrativa ao contrário de conselho que é sim, uma recomendação, pelo que deverá ser: Um último conselho…(…)

    Ainda neste parágrafo encontra-se” se houverem grandes interrupções…(…)”.- Aqui a forma verbal houverem é erro grave, pois que o verbo haver é considerado indeterminado em género o que implica dever ser aplicada a forma houver. Assim: ” se houver grandes interrupções…(…)”

    Recomenda-se pois mais cuidado no uso da Língua Portuguesa, o que num blogue dedicado a LER PORTUGUÊS não deixa de ser mais relevante e responsável. Obrigado!

    • João Fabricio said,

      Novembro 16, 2011 às 2:04 pm

      Boa tarde querida Magma,
      Gostei da correcção que fizeste sobre os erros contidos no texto, isso me faz crer que és uma pessoa crítica, como uma mente aberta. continua assim.

      Obrigado

      João Fabricio

  3. Hermenegildo Tamele said,

    Novembro 5, 2010 às 7:11 am

    O livro e estraordinario amei. embora n meu pais o goSto pela leitura ainda nao passa d mundo desejado abraxos

  4. Sergio Manuel/ Mocambique said,

    Abril 12, 2011 às 11:56 am

    onde posso encontrar este livro?

  5. João Fabricio said,

    Novembro 16, 2011 às 1:57 pm

    Por favor, como possuir este livro?


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