“Historia concisa da Filosofia ocidental ” por Anthony Kenny

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Para os leigos em filosofia e que queiram saber um pouco mais sobre o assunto há um livro perfeito para isso “Historia concisa da Filosofia ocidental ” por Anthony Kenny da editora Temas & Debates.

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Neste livro o autor consegue resumir em 440 páginas toda a história da filosofia ocidental, abordando os principais pensadores de uma forma relativamente simples e concisa. Cada capítulo é dedicado a uma fase da filosofia, tendo por sua vez vários sub-capitulos, sendo que cada um aborda normalmente um filosofo desse período, encontrando-se reunidos os mais importantes.

Para cada filosofo é apresentada inicialmente uma curta biografia seguida das suas principais ideias e teorias, explicadas com maior ou menor clareza consoante o permita o grau de dificuldade e complexidade das mesmas.

Duas coisas me marcaram principalmente neste livro: por um lado fluidez do discurso o que facilita muito a leitura de temas mais complicados e por outro lado a integração dos movimentos filosóficos no contexto histórico, o que permite compreender o porque de certos processos e evoluções.

Houve outra coisa de que gostei bastante, o prefácio, do qual passo a transcrever alguns trechos, uma vez que este explica melhor a razão pela qual devem ler este livro, muito melhor do que eu faria.

“Há cinquenta e dois anos, Bertrand Russell escreveu uma Historia da Filosofia Ocidental num volume, que ainda é muito lida (…)
A obra de Russell, por mais inexacta no pormenor, é aprazível e estimulante, tendo proporcionado a muitas pessoas um primeiro gosto pelo que há de emocionante na filosofia. Procuro neste livro atingir a mesma audiência de Russell: escrevo para o leitor culto em geral, sem uma formação filosófica especial, que deseja ficar a conhecer a contribuição dada pela filosofia para a cultura em que vivemos. (…)
O aspecto da prosa de Russell que mais me esforcei por imitar foi a clareza e o seu vigor de estilo (…). Um leitor que tenha acabado de chegar à filosofia achará por certo difíceis de seguir algumas partes desta obra. Em filosofia não há aguas pouco profundas; todo o aprendiz de filosofo tem de lutar para não se afundar. Mas fiz o meu melhor para assegurar que o leitor não terá de enfrentar quaisquer dificuldades de compreensão que não sejam intrínsecas ao tema.
(…) Este livro pretende mostrar ao leitor quais os temas que interessam aos filósofos e quais os métodos por eles usados para os enfrentar. Em si, os resumos das doutrinas filosóficas são pouco úteis: engana um leitor quem lhe apresentar apenas as conclusões de um filósofo, sem uma indicação dos métodos pelas quais elas foram alcançadas. Por esta razão, apresentei – e critiquei – o melhor que pude o raciocínio que os filósofos usam para apoiar as suas teses (…) É assim que se leva um filosofo a sério: não papagueando o seu texto, mas digladiando-se com ele e aprendendo com os seus pontos fortes e com os seus pontos fracos.
A filosofia é, simultaneamente, a mais emocionante e a mais frustrante das matérias. É emocionante porque é a mais ampla de todas as disciplinas, explorando os conceitos básicos que atravessam todo o nosso discurso e pensamento sobre qualquer tema. Além disso, pode empreender-se o estudo da filosofia sem qualquer formação ou instrução especial preliminar; qualquer pessoa que esteja disposta a pensar muito e a seguir um raciocínio pode fazer filosofia. Mas a filosofia também é frustrante porque, ao contrario das disciplinas cientificas ou históricas, não oferece nova informação sobre a natureza e a sociedade. A filosofia não procura proporcionar conhecimento, mas compreensão; e a sua história mostra como tem sido difícil, mesmo para os grandes espíritos, desenvolver uma perspectiva completa e coerente (…)
Procurei mostrar como, em muitas áreas, o pensamento filosófico surgiu da reflexão religiosa e como se transformou em ciência empírica. (…)
Uma vez mais como Russell, esbocei o pano de fundo social, histórico e religioso das vidas dos filósofos (…)
Não escrevi para filósofos profissionais, apesar de esperar, claro, que eles achem a minha apresentação rigorosa e que se sintam à vontade para recomendar o meu livro aos seus estudantes como leitura secundária. Para os que já estão familiarizados com o tema, a minha prosa terá as marcas da minha formação filosófica, que começou por ser na filosofia escolástica de inspiração medieval e depois na escola da análise linguística que tem sido dominante na maior parte deste século no mundo de língua inglesa.
A minha esperança, ao publicar este livro, é que ele possa transmitir aos que sentem curiosidade pela filosofia alguma da sua emoção e que os encaminhe para os próprios textos dos grandes pensadores do passado (…)”

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2 comentários

  1. Marcelo de Oliveira said,

    Outubro 15, 2007 às 10:30 pm

    Caro escritor,

    Acabei de completar 42 anos de vida (hoje), e tenho uma curiosidade perene sobre todas as coisas. Curiosidade saudável, que me faz buscar várias explicações possíveis para um mesmo tópico. Ao mesmo tempo que pareço perdido (para quem convive comigo), quanto mais intrigante uma situação, maior amplitude eu dou para uma possível explicação (nem sempre lógica), o que aumenta a sensação das pessoas em relação à minha falta de “norte”. Entretanto, ao contrário de me sentir perdido e inseguro, ao perceber a complexidade das questões e o leque de possíveis razões, eu me sinto cada vez mais culto, e cada vez mais curioso a investigar, sem a ansiedade de encontrar uma verdade absoluta. Em resumo, seria possível aceitar diversas “verdades” para uma única questão, sem ser taxado como louco? seria saudável esta paixão, maior pela dúvida, que pela resposta? maior pela resposta abrangente, que pela resposta exata? seriam estas algumas das características de um filosofo?

    Grato!

  2. tanialucas said,

    Outubro 17, 2007 às 10:35 am

    Também eu partilho dessa vontade de questionar e procurar respostas, muitas vezes mais pela busca do que pelo resultado em si. E penso que o mundo funcionaria muito melhor se todos procurássemos as respostas por trás das respostas sem aceitar passivamente o que nos é dado como verdadeiro.

    Mas como infelizmente (ou felizmente) não vivemos num mundo perfeito, é muitas vezes necessário manter os “pés assentes na terra” e corresponder ao que a sociedade espera de nós. Resta-nos então tentar equilibrar as nossas facetas de “filósofos” com os papeis que nos vão sendo atribuídos pela vida.

    Obrigada e fique bem


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