“A Misteriosa Chama da Rainha Loana” por Umberto Eco

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“A Misteriosa Chama da Rainha Loana” fala-nos de Yambo, um alfarrabista italiano que acorda após um AVC que teve como consequências o desaparecimento de toda a memória relativa à sua própria vida, deixando-lhe porém um conhecimento enciclopédico, que ironicamente não lhe serve de absolutamente de nada quando nem o nome da esposa consegue recordar…

Yambo, aconselhado pela mulher, decide partir para a sua casa de campo onde passou uma parte da infância (nomeadamente durante o período da Segunda Guerra Mundial), na tentativa de reencontrar o seu passado. No entanto, devido a certas descobertas e revelações, um segundo AVC tem lugar, desta vez com consequências mais curiosas…

A primeira impressão que fiquei acerca desta obra é que foi escrito com um grande amor pelos livros em geral. Desde a profissão do próprio personagem principal, passando pela sua tentativa de reconstrução de um passado perdido a partir de todos os livros lidos ao longo da sua vida, os livros acabam por ser os principais elementos da narrativa. De salientar ainda, as magnificas figuras que ilustram toda a obra.

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Tal como nos é avisado numa inicial “nota da tradutora” este não é um livro nada fácil de ler, as referencias a outras obras são inúmeras e raramente são citadas as fontes. Alem do mais não deixa de ser Umberto Eco, um escritor que deve ser lido com atenção e que exige sempre do leitor uma boa dose de cultura geral… embora no final valha sempre a pena.

Só uma coisa me deixou profundamente desiludida: o final. É um final que deixa tudo em aberto e não resolve nada, deixando um leque enorme de possibilidades de interpretação. Penso que noutros contextos isto seria agradável, mas após tanto “nevoeiro” uma explicação concreta para algumas questões era, na minha opinião, mais desejável.

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1 Comentário

  1. Valdemar Neri Bettin said,

    Setembro 10, 2017 às 3:08 am

    Penso que era exatamente o que Humberto Eco desejava: Deixar em aberto ou, como Tanyalucas observardoramente disse, deixando um leque enorme de possibilidades de interpretação.
    Percebe-se essa ideia em OBRA ABERTA do próprio Humberto!


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