Bastante triste…

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Ontem, no dia dos anos da minha mãe, morreu o nosso cão Snoopy 😦 Sinto-me bastante triste…

Aconselha-se…

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Fugindo um pouco ao tema do blog, aconselho um dia bem passado em Mora no Alentejo.

Eu experimentei e adorei. Primeiro almoço na albergaria Solar dos Lilases, uma vista fantástica, um serviço impecável, um ambiente muito especial e por preços muito muito apetecíveis (as doses custam entre 7 e 8 euros e embora a variedade não seja muita, os pratos são muito bem servidos e absolutamente deliciosos). Depois, para digerir bem o almoço, uma ida ao famoso fluviario, que apesar de não ser muito grande, tem espécies muito engraçadas e umas lontras que me deixaram completamente apaixonada… De seguida é obrigatório, para aproveitar a sesta, parar um bom bocado na barragem com parque de merendas mesmo ao lado do fluviario.

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É lindíssima e super calma, no verão aconselha-se levar fato de banho porque a barragem está preparada como zona balnear, sendo ainda possível fazer canoagem, pescar, jogar pingue-pongue ou voley.

A pior parte é mesmo ter de voltar para Lisboa… Custa um bocadinho depois de se encher a vista com paisagens sem fim, o verde da vegetação, o azul vivo do céu e o som dos passarinhos, ter de regressar para uma cidade de betão asfixiante e ruídosa onde o excesso faz doer os olhos….

Bertrand Vs Editoras

“Bertrand em risco de perder grandes editoras
por Isabel Lucas

Entrar numa livraria Bertrand e encontrar um exemplar de um romance de António Lobo Antunes, de Ian McEwan ou o último livro de José Rodrigues dos Santos pode ser uma impossibilidade. Tudo por causa de um diferendo que envolve aquela cadeia de livreiros e algumas das maiores editoras portuguesas. Desde Maio que a Bertrand Livreiros não faz compras à Gradiva, Cotovia, Porto Editora ou Dom Quixote, para dar alguns exemplos. Em causa está a recusa por parte destas editoras em aceitar as novas condições de compra que consideram ser “impostas” pela Bertrand, grupo recentemente adquirido pelos alemães da Bertelsmann.

Numa circular com a data de 9 de Maio de 2007, a Bertrand Livreiros informava os seus fornecedores sobre alterações no processo de compra, distribuição e devolução de livros. “Informamos que, a partir do próximo dia 14 de Maio de 2007, todas as devoluções e entregas de livros nas Livrarias Bertrand serão da responsabilidade e custo dos fornecedores.” O conteúdo desta nota gerou a contestação de um grupo de editores, entre os quais se conta André Jorge, da Cotovia. “Isto é contrário a toda a lógica”, declarou ao DN. “Mas o que mais me incomodou não foi tanto o conteúdo, mas o tom”, que classifica de impositivo.

Leitura idêntica tem Pedro Sobral. O director de comunicação e marketing da Dom Quixote considerou os novos requisitos da Bertrand como “decisões unilaterais e extraordinárias”, não habituais no relacionamento que existia entre a editora e a anterior administração daquela cadeia livreira.

Sem receber uma encomendas da Bertrand desde Maio, a Cotovia calcula uma queda de 14 por cento no total das suas vendas e chama a atenção para o reflexo que tal medida – suportar os custos da devolução dos livros não vendidos- pode ter no mercado livreiro. “Isso implica, a breve prazo, ter de aumentar o preço de venda dos livros em prejuízo de todos, mas sobretudo do público.”

O facto de terem de ser as editoras a suportar custo das devoluções representa uma perda entre os 4 e os 6 por cento nas margens de cada uma das casas editoriais. Um preço que nem a Cotovia nem a Gradiva, Dom Quixote, Porto Editora Verbo, Lidel e ECL estão dispostas a pagar para ter os seus livros nos escaparates da cadeia de livrarias Bertrand.

Numa resposta remetida ao director-geral da Bertrand Livreiros, André Jorge fez uma contraposta. “Um levantamento de mercadoria devolvida apenas uma vez por mês e num mínimo de 15 livros por livraria”, Isso além de um desconto geral único de 40 por cento em vez dos 42 que a Bertrand propunha. Não recebeu resposta. Não voltou a ter encomendas. O mesmo que aconteceu com a Dom Quixote. Perante essa unilateralidade [da Bertrand] a Dom Quixote tentou resolver a questão até que a Bertrand deixou de fazer compras.”

Recusando-se a comentar questões contratuais (cada editora tem as suas) e o que considera ser uma inflexibilidade por parte da Bertrand, Pedro Sobral não contabiliza, para já, prejuízos. “Temos planos contingência, já que o mercado não é cem por cento previsível.” Isso passa, por exemplo, por vender em canais alternativos. “Este é um dado novo e o que queremos é permitir aos nosso autores a mesma visibilidade e capacidade de chegar aos seus leitores.”

Fonte: Diário de Notícias ”

Nota: não copiei esta notícia directamente do Diário de Noticias porque não a consegui encontrar on-line, por isso utilizei como fonte o fórum Bad Books Don’t Exist.

Sinceramente, o que me preocupa nesta história, é o facto de a Bertrand estar a tentar puxar o mercado de maneira a que sejam as livreiras e não as editoras a estabelecer as regras, o que na minha opinião, tornará inevitavelmente o mercado dos livros ainda mais economicista, sendo os leitores os verdadeiros prejudicados nessa situação.

Raramente comprei livros na Bertrand, uma vez que sempre achei esta muito mais cara do que a FNAC ou mesmo algumas livrarias tradicionais, como a livraria “Portugal” na Baixa de Lisboa, onde os empregados fazem quase sempre uma atençãozinha ao preço do livro. Depois desta notícia, penso que não voltarei a fazer compras nesta livraria, a minha pequena forma de protesto…

Caloiros…

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LA COGIDA Y LA MUERTE por García Lorca

LA COGIDA Y LA MUERTE

A las cinco de la tarde.
Eran las cinco en punto de la tarde.
Un niño trajo la blanca sábana
a las cinco de la tarde.
Una espuerta de cal ya prevenida
a las cinco de la tarde.
Lo demás era muerte y sólo muerte
a las cinco de la tarde.

El viento se llevó los algodones
a las cinco de la tarde.
Y el óxido sembró cristal y níquel
a las cinco de la tarde.
Ya luchan la paloma y el leopardo
a las cinco de la tarde.
Y un muslo con un asta desolada
a las cinco de la tarde.
Comenzaron los sones del bordón
a las cinco de la tarde.
Las campanas de arsénico y el humo
a las cinco de la tarde.
En las esquinas grupos de silencio
a las cinco de la tarde.
¡Y el toro, solo corazón arriba!
a las cinco de la tarde.
Cuando el sudor de nieve fue llegando
a las cinco de la tarde,
cuando la plaza se cubrió de yodo
a las cinco de la tarde,
la muerte puso huevos en la herida
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
A las cinco en punto de la tarde.

Un ataúd con ruedas es la cama
a las cinco de la tarde.
Huesos y flautas suenan en su oído
a las cinco de la tarde.
El toro ya mugía por su frente
a las cinco de la tarde.
El cuarto se irisaba de agonía
a las cinco de la tarde.
A lo lejos ya viene la gangrena
a las cinco de la tarde.
Trompa de lirio por las verdes ingles
a las cinco de la tarde.
Las heridas quemaban como soles
a las cinco de la tarde,
y el gentío rompía las ventanas
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
¡Ay qué terribles cinco de la tarde!
¡Eran las cinco en todos los relojes!
¡Eran las cinco en sombra de la tarde!

Devo dizer que não fazia a ideia que este filme existia, mas agora fiquei com curiosidade… Adoro a maneira como este magnifico poema de Garcia Lorca é declamado no trailer. Deixo aqui a versão escrita para o lerem enquanto ouvem.

Mutts em Abbey Road

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“Me gustas cuando callas…”

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Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.
Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.

Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.
Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.

Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.

Por Pablo Neruda

O final das férias :(

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Liberdade

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Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa…

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca…

Por Fernando Pessoa

Um poema a condizer com o mês do regresso às aulas…