Mutts – Halloween

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Booker Prize 2007

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No passado dia 16 de Outubro, foi conhecida a vencedora deste ano do Booker Prize 2007. A eleita foi Anne Enright com a obra “The Gathering”. Podem ficar a saber um pouco mais sobre o prémio e a obra aqui.

Mais uma vez, nunca li nenhuma obra desta autora, pelo que não posso opinar sobre o assunto mas o vencedor do ano passado, “A Herança do Vazio” de Kiran Desai, deixou-me com mais curiosidade…

Premio Literário Cidade de Almada 2007 – Poesia

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Amanha, dia 18 de Outubro, pelas 21h, no Auditório Fernando Lopes Graça – Fórum Municipal Romeu Correia em Almada, vai ter lugar a cerimónia de entrega do Premio Literário Cidade de Almada 2007 – Poesia, este ano atribuído a um dos meus escritores preferidos, Hugo Santos.

Infelizmente não vou mesmo poder estar presente (fico mesmo triste de não ir) mas deixo aqui o aviso. Aproveitem que a entrada é livre e após a entrega do prémio irá ainda decorrer um espectáculo de dança com o grupo Corpus NOITE BRANCA.

Moby Dick, por Herman Melville

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Finalmente consegui caçar a maldita Moby Dick! Sinceramente começava a ficar farta do livro, acabei-o mais por teimosia do que outra coisa… Enfim, mas nem tudo foi mau e vou tentar explicar por aqui o porque da minha opinião.

Moby Dick foi escrito em 1851 por um americano, Herman Melville, e o que este senhor faz em muitos capítulos, é misturar uma panóplia de géneros literários, desde o ensaio ao épico passando, por exemplo, pela dramaturgia, tendo sempre como pano de fundo a caça à baleia. No entanto, esta não é uma caçada vulgar. Ismael (o narrador, quando esta figura existe) conta-nos uma viagem maldita em busca de uma lendária baleia branca, Moby Dick, conhecida pela sua violência para com os marinheiros e aparente indestrutibilidade. O capitão do navio ( o Pequod ) que vai em sua perseguição é Ahab, um homem atormentado e enlouquecido pelo desejo de vingança sobre Moby Dick, que lhe abocanhou a perna, algum tempo antes da partida do Pequod.

Basicamente, na minha opinião, a obra vai alternando entre picos de genialidade, com frases, parágrafos e paginas inteiras que dá vontade de sublinhar e ler e reler sem parar e momentos absolutamente dispensáveis, aborrecidos e desinteressantes.

É uma obra que necessita de alguma bagagem cultural (da qual senti falta algumas vezes) devido às analogias que o autor faz, uma vez que vai muitas vezes buscar episódios históricos ou mitológicos, por vezes de forma bastante subtil, e que foram para mim, em alguns casos, difíceis de decifrar.
As comparações entre a caça à baleia e certos aspectos da sociedade, bem como considerações pessoais do autor sobre a humanidade e mais particularmente, hábitos e costumes da época em que o romance foi escrito (não assim tão diferentes dos nossos) são constantes, e este foi o aspecto em que o autor ganhou mais na minha admiração.
Só para exemplificar com algumas passagens de que gostei particularmente:

“(…)Dêem uma volta pela cidade numa sonolenta tarde de domingo. (…) Que encontram? Postados como sentinelas em toda a periferia da cidade, milhares e milhares de mortais contemplam, hipnotizados, o oceano.(…) Mas vejam! Aí vem mais gente, encaminhando-se directamente para a água, como se fosse mergulhar. Que coisa bizarra! (…) e ali permanecem – quilómetros de basbaques, léguas… (…)”

“(…) Não é talvez a devido ao facto de a baleia ser tão extraordinariamente gordurosa que os homens de terra parecem dominar a ideia de comê-la; parece que a razão é sobretudo (…) a relutância de um homem em alimentar-se de uma coisa marinha recentemente assassinada e devorada à luz do céu próprio óleo. (…) Ide a um matadouro, num qualquer sábado à noite, e observai as multidões de bípedes vivos contemplando as longas filas de quadrúpedes mortos. Não é um espectáculo de canibais? Mas quem não é canibal? Creio que no dia do Juízo Final será mais facilmente perdoado o selvagem das Fiji que conserva em salmoura o corpo de um esquelético missionário que tu, esclarecido e civilizado apreciador de petiscos, que prendes as aves à terra e devoras a pasta saborosa dos seus fígados dilatados [Referencia ao modo como é obtido o fois-gras]. (…) ”

“(…)Oh, Natureza! Oh, alma do homem! Como vos encontrais encadeadas da mesma forma inexprimível! Não há na matéria átomo, por mais minúsculo, que viva ou se agiste, que não encontre no espírito a sua replica adequada(…)”

No entanto, ao tentar fazer da obra em causa, algo verdadeiramente memorável, por vezes exagera. Se por um lado as suas tentativas de incursão no ensaio científico são na minha opinião ridículas, por outro as descrições são levadas aos cúmulos sem que isso contribua significativamente para a história em si (e eu sou uma pessoa que ate aprecia boas descrições, por mais longas que sejam). Para dar um exemplo veja-se os títulos de alguns capítulos numa procura rápida: “A linha”, “O dardo”, “O garfo”, “A colcha”, “A cabeça do cachalote – vista em contraste”, “A cabeça da baleia – vista em contraste”, “O repuxo”, “A cauda”, “As caldeiras”, “A lâmpada”, e por ai fora…

Falha ainda em mais duas coisas. Primeiro a dificuldade que o autor tem em criar suspense e ambientes que nos façam vibrar, sentir a emoção e impedir-nos de largar o livro por um minuto. Em segundo, acho que o autor se perde um pouco nas personagens. Em diversas fases do livro, o foco encontra-se sempre numa determinada personagem, sendo que as restantes são praticamente esquecidas embora já tenham tido o seu momento em que a narrativa se centrava quase completamente nelas. Por exemplo, no início é dado um grande ênfase ao canibal Queequeg, e ficamos com vontade de acompanhar a sua história, no entanto, no decorrer da acção, a sua personagem torna-se “apagada”, voltando a aparecer e a ter importância em episódios muito pontuais. E mesmo o capitão Ahab, só a partir de metade do livro, é que ganha toda a sua força e densidade como personagem, permanecendo dos primeiros capítulos da viagem como simples fonte do medo dos outros tripulantes da embarcação.

Resumindo e concluindo, o livro tem algumas passagens engraçadas e agradáveis, mas é bastante maçador e, na minha opinião, sobrevalorizado.

There’s no place like home…

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Prémio Nobel da Literatura 2007

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Hoje ficou-se a conhecer o vencedor, neste caso vencedora, do Prémio Nobel da Literatura. Apesar de desconhecer por completo as obras desta escritora, agradou-me a notícia por duas razões: por ser mulher, uma vez que este prémio é na maioria das vezes atribuído a homens e porque quando olho para ela acho que tem os olhos da minha bisavó Teresa…

Fica então aqui um artigo com a notícia que encontrei na net:

A britânica Doris Lessing ganha o Prêmio Nobel de Literatura 2007
A escritora britânica Doris Lessing ganhou nesta quinta-feira o Nobel de Literatura 2007, um prêmio que recompensa uma obra vasta, variada e marcada pelos cenários da África e a causa feminista.
O júri descreveu Doris Lessing em um comunicado como “a narradora épica da experiência feminina, que, com ceticismo, ardor e uma força visionária sujeitou uma civilização dividida ao escrutínio”.
Doris Lessing completará 88 anos no dia 22 de outubro. Desde o início da premiação em 1901, ela é a 11ª mulher a receber o Nobel de Literatura.
A escolha foi uma surpresa já que o nome de Lessing, com freqüência citado como favorito no passado, já não aparecia atualmente nos círculos suecos.
A romancista não pôde ser localizada após a divulgação da notícia. De acordo com seu agente literário, ela estava fazendo compras em Londres e não foi possível avisá-la antes que ela ficasse sabendo do prêmio pelos meios de comunicação.
Nascida no território da Pérsia, atualmente Irã, em 1919, quando seu pai era capitão do Exército britânico, Doris May Taylor viveu parte da juventude na então Rodésia (atual Zimbábue), o que marcou sua obra.
Ex-membro do Partido Comunista britânico, do qual se afastou em 1956 após a repressão da rebelião húngara, é comparada freqüentemente com a francesa Simone de Beauvoir por suas idéias feministas.
“The golden notebook” (“O caderno dourado”), de 1962, sua obra-prima, conta a história de uma escritora de sucesso em forma de diário íntimo.
Para o Comitê Nobel, este livro “é uma obra pioneira do movimento feminista e pertence ao grupo de obras que mudaram a forma de ver as relações homem-mulher no século XX”.
Sua juventude, passada entre vários continentes, a inspirou a produzir sua primeira saga, escrita de 1952 a 1969: os cinco volumes de “Filhos da Violência”.
Entre outras de suas principais obras figuram “The Grass is Singing”, “The good terrorist”, sobre um grupo de revolucionários de extrema-esquerda, “Andando na Sombra”, “Regresso para casa” (1957), onde denuncia o apartheid na África do Sul, “O quinto filho”, “Debaixo da Minha Pele da Companhia das Letras” e “Andando na Sombra”.
A escritora sempre soube explorar todos os estilos, sem hesitar em uma incursão no mundo da ficção científica com os cinco volumes da série “Canopus em Argos: Arquivos”, escrita entre 1979 e 1983, e entre os quais se destaca “Shikasta”.
Nesta saga, Lessing imagina o mundo depois de um conflito atômico e fala dos antagonismos entre os princípios feminino e masculino, assim como de colonialismo e de catástrofes ecológicas.
Em 1984 Doris Lessing fez uma brincadeira com os meios literários ao lançar “Diario de uma boa vizinha” sob um pseudônimo (Jane Somers). Sua própria editora, que não conhecia a verdadeira identidade da autora, se recusou a publicar o livro.
Casada duas vezes e divorciada, a escritora afirma que “o matrimônio é um estado que não a convém”.
Doris Lessing vive atualmente na periferia de Londres e, nos últimos anos, se dedicou principalmente às obras de ficção científica.
O Nobel de Literatura é acompanhado por um prêmio de 10 milhões de coroas suecas (cerca de 1,08 milhão de euros) e será entregue em 10 de dezembro, em Estocolmo, durante a tradicional cerimônia na presença da família real
.”

in AFP

Lançamento da revista Waribashi

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Este fim-de-semana tive a oportunidade de participar no lançamento da nova revista on-line sobre cultura japonesa, Waribashi.
As actividades tiveram lugar na FNAC do Colombo no sábado (à qual não fui) e também na FNAC do Chiado e nessa aproveitei para dar uma espreitadela. Foi uma tarde muito bem passada, a apresentação não foi nada maçadora, pelo contrário, teve interessantes apresentações em PowerPoint sobre shiatsu (espécie de massagem japonesa), origamis e caligrafia japonesa. Houve ainda a oportunidade de experimentar umas massagens de shiatsu onde me aventurei (foi engraçado mas um bocadinho “violento” :p) e ainda tivemos direito a uma workshop de caligrafia japonesa.

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Eu já tinha experimentado antes numa outra workshop organizada pela Embaixada do Japão mas é sempre bom repetir a experiência, gosto bastante da escrita japonesa, é extremamente fluida, suave e relaxante (apesar de difícil, especialmente para quem inicia) e a sensação que se tem é que em vez de escrever estamos a pintar um quadro, tanto pelos movimentos específicos do pincel, como pelo resultado final…
Fico com pena de não ter o scanner para vos mostrar aqui os meus dotes japoneses :p fica então só uma versão “virtual” do meu nome em japonês…

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E já agora não deixem de espreitar o site da revista, porque é gratuita e acho que está muito bem conseguida, tanto ao nivel do grafismo como dos assuntos abordados.

Calvin & Hobbes

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SERENAMENTE

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Serenamente, lembro o meu passado:
Das suas esperanças nada espero,
E sorrio ao seu mal desesperado
Como ao bem das promessas, que não quero.

Que hoje, da vida, só desejo a calma
Da indiferença, num sorriso aberto…
E, na certeza de que tudo é incerto,
Descansa as tuas dúvidas, pobre alma!

Do teu cansaço e tua dor, descansa!
É neste brando enlevo que eu te quero,
Sorrindo ao fundo duma nova esp’rança
Como à ilusão dum novo desespero.

Por Guilherme de Faria