“A CASA DO TEMPO PERDIDO” por Carlos Drummond de Andrade

A CASA DO TEMPO PERDIDO

Bati no portão do tempo perdido, ninguém atendeu.
Bati segunda vez e mais outra e mais outra.
Resposta nenhuma.
A casa do tempo perdido está coberta de hera
pela metade; a outra metade são cinzas.
Casa onde não mora ninguém, e eu batendo e chamando
pela dor de chamar e não ser escutado.
Simplesmente bater. O eco devolve
minha ânsia de entreabrir esses paços gelados.
A noite e o dia se confundem no esperar,
no bater e bater.

O tempo perdido certamente não existe.
É o casarão vazio e condenado.

Por Carlos Drummond de Andrade

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5 comentários

  1. Mïr said,

    Abril 20, 2008 às 10:05 am

    Sintonia harmoniosa entre fotografia e poema.

  2. Pedro said,

    Abril 21, 2008 às 7:24 pm

    Drummond de Andrade é um dos melhores poetas que existiram.

    O poema é de um significado extremamente profundo, e essa imagem fica a matar ao lado do poema!

  3. tanialucas said,

    Abril 21, 2008 às 9:13 pm

    Para os dois :p

    Obrigada pelos elogios à foto, também quando a vi achei que encaixava na perfeição, afinal, ninguém deve “viver” preso à “casa” do tempo perdido e penso que esta imagem transmite muito bem essa mensagem…

    E Drummond de Andrade é de facto um grande poeta!

    Abraços para os dois

  4. Marco Túlio said,

    Março 20, 2010 às 4:42 pm

    Afê.. Eu vou ter q recitar esse poema na escola..

  5. Thayná said,

    Junho 19, 2010 às 10:08 pm

    Esse poesia é muito LINDA eu vou falar ela na escola


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