“O Amor nos tempos de Cólera ” de Gabriel Garcia Márquez

Depois de vegetar anos na prateleira, cheguei ao fim de “O Amor nos tempos de Cólera ” de Gabriel Garcia Márquez, livro que, por pura coincidência, comecei a ler poucos dias antes de ver na TV o trailer do filme, baseado no livro e que não sei bem se já estreou ou ainda vai estrear…

De qualquer maneira adorei o livro e só me arrependo de não o ter lido mais cedo, bem, talvez mais cedo não achasse muita piada, acho que para apreciar verdadeiramente o livro, é preciso conhecer o amor, não como ele nos é fantasiado na literatura ou no cinema, mas como ele o é na realidade.

A história é muito simples e aparentemente desinteressante, rapaz pobre, apaixona-se por rapariga rica, pai irritado exila a filha, mas os amantes mantêm correspondência secreta. Quando rapariga, agora mulher, volta, descobre que afinal não ama rapaz. Rapaz jura esperar pelo amor dela, nem que seja por toda a vida. Rapariga rica faz um bom casamento, e quando é bastante velhinha fica viúva, reaparece então o rapaz que agora também é velhinho e que afinal já é rico. Os dois vão fazer uma viagem. FIM.

Agora, o que torna este livro tão especial é a mestria com que Gabriel Garcia Marquez nos conta esta história, onde o amor é revelado em todas as suas vertentes, o amor platónico, o amor para enganar a solidão, o amor como satisfação do desejo, o amor conjugal, o amor na juventude, o amor na velhice, sempre e de todas as maneiras o amor… mas não de uma maneira melosa, antes como ele é, com todos os seus bons e maus, e onde os comentários de um realismo acutilante surgem sempre no compasso certo.

De qualquer maneira e aparte disto, o enredo desenrola-se num cenário que se estivermos com atenção, acaba por ter tanto ou mais impacto do que a historia em si, onde são focadas entre outras, e sempre de uma maneira muito critica, as condições de vidas dos refugiados antilhanos, a volatilidade politica daquela zona em particular, as condições sanitárias no início do Século XIX e as suas consequências ao nível da disseminação de doenças como a cólera, a chacina dos trabalhadores nas grandes plantações da América Latina, a novidade e inovação do inicio de século numa sociedade muitas vezes retrógrada e preconceituosa, o desastre ambiental (com as suas repercussões sociais) provocado pela delapidação da selva pelos lenhadores em busca de combustível para os navios a vapor…

A verdade é que adorei o livro, aconselho-o vivamente e acho uma excelente prenda para oferecer à outra cara metade…

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3 comentários

  1. Abril 24, 2008 às 9:28 pm

    Um dos livros da minha vida! Li-o numas férias de Verão, quando era adolescente.

  2. tanialucas said,

    Abril 26, 2008 às 10:19 pm

    Agora também passou a ser definitivamente um dos livros da minha vida, toda a gente o devia ler…

    Abraços
    Tânia Lucas

  3. ivan antonio sasso said,

    Março 30, 2009 às 1:04 am

    já vi o filme e achei de mais, excelente e envolvente e explicativo e curiosíssimo, vale a pela ver o filme e agora quero ler o livro do Gabriel porque a autor é um mestre em narrar, e li Cem anos de Solidão ainda na minha juventude e ainda não esqueci o conteúdo do livro, devido a forma como foi escrito.


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