“Os Piratas” de Gilles Lapouge

Terminei “Os Piratas” de Gilles Lapouge. Devo dizer que fiquei um pouco desiludida. Quando comprei o livro, fi-lo no intuito de ter uma obra que me permitisse conhecer um pouco sobre a historia e costumes destes homens que de uma forma ou outra sempre estiveram presentes na nossa historia, e ainda poder ler sobre a biografia das principais piratas e corsários. Afinal, o livro será talvez mais indicado para aqueles que já conhecem um pouco da historia da pirataria, sendo este mais um ensaio sobre este fenómeno sociológico do que propriamente uma obra informativa. Lapouge vai-nos apresentando as contra-regras pelas quais se regem estes párias da sociedade, como manipulam a historia e as sociedades, mantendo-se à margem destas mas vivendo à sua custa. De como nas suas aventuras podemos ver um regresso à infância ou a busca de um paraíso perdido na terra. Tentar compreender o seu carácter anarquista e revolucionário, que no entanto se afasta imensamente dos outros movimentos reaccionários da história. Observar a sua maneira de enfrentar a morte, uma vez que olham o seu frio rosto todos os dias e vivem com o fantasma da forca sobre as suas cabeças, ou ainda a imagem do ouro/tesouro, que assume um papel bastante distinto daqueles que lhe damos na nossa sociedade, entre muitos outros aspectos.

Este livro faz-nos questionar um pouco os moldes sociais pelos quais nos guiamos e obriga-nos a olhar para a pirataria, nas suas diversas vertentes, por prismas alternativos, embora ache que o autor por vezes exagera na sua defesa da pirataria, uma vez que muitas das acções levadas a cabo por estes homens simplesmente não poderão ser justificadas.

Um ponto a favor desta obra consiste no facto de estar ilustrada com figuras diversas, todas relacionadas com a pirataria.

Este é um livro que aconselho talvez mais àqueles que tenham algum interesse em movimentos anarquistas ou revolucionários, ou que se interessem pelo tema, não sendo, na minha opinião, particularmente relevante para todos os outros…

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8 comentários

  1. Pedro said,

    Agosto 7, 2008 às 6:58 pm

    =P Não me parece o livro que quero ler neste momento. Mas compreendo o que queres dizer, neste tipo de livro tens de saber algumas noções e ter bases no assunto. Isto é MESMO para interessados.

    Mas parece interessante essas descrições e carácteres, e essa relação entre o ponto de vista da nossa sociedade e as vertentes da pirataria.

    Não é o meu livro, quase de certeza ^_^

  2. Gil said,

    Novembro 30, 2008 às 10:43 am

    Pegou o espírito da coisa moça! Realmente esse ensaio de Gilles Lapouge é denso e pouco descritivo, contudo, ele mostra-se diferente da bibliografia sobre piratas exatamente por isso, pensar o ofício tanto quanto as mazelas que possui! Diria que você conseguiu uma façanha ao escolher esse livro, pois a bibliografia a respeito de piratas é composta por um sem número de livros descritivos! Caso ainda queira observar costumes e saber de várias histórias, leia:

    JOHNSON, Charles. PIRATAS: Uma história geral dos roubos e crimes de piratas famosos. 2° ed. Porto alegre: Artes e Ofícios, 2004.

    Obra descritiva que abrange até mesmo as mulheres piratas assim como os mais famigerados lobos-do-mar.
    Também indicaria esse aqui:

    SAN MARTIN, E. A Viagem do Pirata Richard Hawkins. Porto Alegre: Artes e ofícios, 2005.
    Esta é uma tradução do diário de bordo que relata os pormenores de uma viagem pavorosa e catastrófica, contada por um corsário que possui uma longa tradição familiar!
    Espero ter ajudado! até mais!

    • tanialucas said,

      Janeiro 3, 2009 às 12:43 pm

      Para Gil:

      Bem, parece que tive mesmo pouca pontaria… Obrigada pelas dicas, da próxima vez que vir outro livro sobre piratas, vou ler com muita atenção a contra-capa para ver se dessa vez acerto :p

      Cumprimentos
      Tânia Lucas

  3. João José Martins Tavares said,

    Fevereiro 16, 2009 às 5:16 am

    Já leste algum livro de John Steinbeck?
    O primeiro dele, Tempos Passados, lindo pra crianças e adultos, far-te-á sentir uma escrava mista de espanhois, índios, negros e franceses, manca de caracter por apenas portar cultura ocidental, ou, um mito, da Santa Roja com que se mobilizará um bando de bucaneros e pra lá de 1200 súditos, muito mais fácilmente do que com somas de dinheiro. E muito mais conhecerás. Isso da morte, o Amor no seu sentido amplo, o ideal, o coorporativismo transparente, a moral religiosa, a moral social, a moral política opostas à moral universal, a sobrevivência.
    A ética revela-se cristalina como um conto d’infância.
    Gilles Lapouge leu-o com toda a certeza, ou, pelo menos aprecia o John que já o li manifestando essa apreciação. Lógico que o Sr Lapouge faria tudo menos um plágio nem aderiria a nenhum tipo de pirataria.

    • tanialucas said,

      Fevereiro 26, 2009 às 1:41 pm

      Para João Tavares:

      Apesar de nunca ter lido John Steinbeck, está na minha lista de compras futuras. Estava a pensar começar por “As vinhas de Ira”, mas depois deste comentário, talvez comece mesmo pelo “Tempos Passados”. Obrigada pela dica 🙂

      Abraços
      Tânia Lucas

  4. João José Martins Tavares said,

    Fevereiro 16, 2009 às 5:19 am

    Saberás a origem de BUCANEIROS.

  5. tiago said,

    Dezembro 12, 2013 às 12:33 pm

    Olá!
    Também tenho este livro e cheguei a este forum por causa disso. Já o li e concordo contigo quando dizes que não há tanta descrição como contexto associado às diversas figuras da pirataria e do mundo em que vivem, fala pouco do mundo com o qual se revoltam mas isso é algo evidente.
    Bem antes de escrever aqui uma resposta li um pouco do livro outra vez e digo-te que talvez seja mais um livro que fala dum mundo, e esse mundo concordo contigo quando dizes que por vezes há um exagero quanto à defesa de ser justificável. Discordo do facto de o autor não dar importância à carta de corso embora diga bem de Francis Drake enquanto subdito da rainha. Sendo a carta de corso algo tangível para os actos em causa.

    Dei aqui uma resposta também para lembrar dois livros que li antes deste que embora não sejam profundamente histórico acho que merecem ser realçados e quem sabe até podes vir a te interessar e gostar. ‘O corsário negro’ de emilio salgari e aquele que li mesmo um pouco antes deste e ja com uma certa idade o ‘Os piratas dos arquipelagos’, de Julio Verne penso que fala mais ao coração e gostei bastante.

    Há um livro aqui referido que estou bastante interessado, o do steinbeck.


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