“A Estrada” de Cormac McCarthy

Acabei à dias “A Estrada” de Cormac McCarthy, o famoso autor de obras como «Este País Não é Para Velhos», que deu origem ao filme, e ainda vencedor de um prémio Pulitzer. Possui ainda uma personalidade especial que o faz negar qualquer tentativa de entrevista excepto a única que deu à Oprah.

A acção narrativa decorre num tempo depois do tempo, um mundo após um apocalipse nuclear (nunca referido directamente mas subentendido), mergulhado num eterno Inverno de cinza e escuridão. É este mundo que percorremos, na companhia de um pai e de um filho, uma anónima estrada na Americana em busca do Sul onde residem as ultimas esperanças de um local menos agreste.

Vivem perdidos no medo, na fome e na solidão. Já não existem animais nem plantas e os últimos humanos, transformaram-se na sua maioria em canibais atrozes que caçam outros humanos. Num cenário onde o desespero e a morte imperam, estas duas almas sobrevivem um pelo outro, fazendo-nos perceber a fragilidade do nosso mundo, a futilidade das nossas necessidades e desejos modernos e o poder incondicional do amor, que tornam este homem e criança sobreviventes num mundo moribundo.

Devo dizer que este foi um dos melhores (se não o melhor) livros que li até hoje. Cada vez que parava a sua leitura, olhava à minha volta e a tomada de consciência da instabilidade e fraqueza do mundo que nos rodeia e do que temos por adquirido era verdadeiramente avassaladora. Este é definitivamente uma obra que nos faz pensar e repensar a realidade, as nossas vidas e prioridades. Um livro capaz de nos virar do avesso…

Apesar da violência de algumas passagens, penso que ninguém deveria deixar de o ler.

Anúncios