Acabei há pouco “A Sombra do Vento” de Carlos Ruiz Zafón, uma obra absolutamente fantástica…
Daniel Sempere, um jovem sem mãe, nascido na época após o fim da Guerra Civil espanhola, mora com o seu pai, um alfarrabista, na cidade de Barcelona.
Um dia, o pai leva-o ao cemitério dos livros esquecidos, um armazém, guardado por um velhote com cara de diabrete que encerra no seu interior todos aqueles livros que o mundo esqueceu. Daniel tem ainda a oportunidade de escolher um livro, um qualquer, por ser esta a sua primeira visita a este lugar. O Jovem escolhe “A Sombra do Vento” de Julian Carax, um livro que o deixa fascinado desde o primeiro momento e pelo qual começa a nutrir uma verdadeira obsessão. Procura então outras obras deste autor e descobre que não existem pois uma personagem misteriosa dedica-se a queimar todos os exemplares escritos por Julian Carax. Aguçado pela intriga Sempere procura desvendar a história sobre este autor misterioso, que embora nascido em Barcelona morava em Paris, ganhando a vida como pianista num bordel.
Devo dizer que este livro tem tudo o que uma boa história deve ter: um mistério por desvendar, romances temporalmente dispares mas historicamente paralelos, personagens carismáticas e pelas quais é impossível não nos apaixonarmos, uma (ou duas) femme fatale e algumas tiradas geniais, vindas da boca de um sem-abrigo desavergonhado e inteligente, tudo isto passado numa cidade maravilhosa como é Barcelona, em ambientes entre o gótico e o noir… Com o bónus de toda a trama se desenrolar em torno do poder dos livros…
O final é perfeito e a explicação de todas as situações extremamente coerente. Um livro que me deixou agarrada desde o primeiro paragrafo (que é o mínimo que se pode dizer de um livro em que, sensivelmente a meio, se pode ler da boca da personagem principal, “Mal eu sabia que daí a uma semana estaria morto”)
Devo dizer que fiquei aos pulos quando li não-sei-onde que este era apenas um de vários livros do mesmo autor tendo como pano de fundo Barcelona.
Repetindo o que já escrevi no post-anterior (e ainda bem que assim é) considero este um livro que ninguém deve deixar de ler.