Como gostava de ser borboleta…

Anúncios

“O Lago sem Nome” por Diane Wei Liang

9725302141

Terminei ontem “O Lago sem Nome” de Diane Wei Liang.

Esta é uma obra/documento sobre o massacre na Praça de Tiananmen em 1989 o qual a própria autora, Wei, viveu muito próximo.

A história inicia-se muitos anos antes, durante a infância de Wei num campo de trabalho forçado, para onde os seus pais foram enviados durante a revolução cultural chinesa. Nesta parte fica-se com uma impressão bastante clara deste período negro da história da China em que os intelectuais eram forçados a trabalhar no campo, impedidos de exercerem a sua profissão ou prosseguirem os seus estudos, sofrendo inúmeras humilhações. Apesar das dificuldades, Wei consegue entrar na Universidade de Beijing como uma aluna brilhante terminando os seus estudos em 1989.

No entanto, este é um ano de muitas mudanças, e ideias revolucionarias de liberdade e democracia começam a formar-se nas mentes dos jovens estudantes universitários. Surgem então diversas iniciativas e manifestações pacíficas às quais se juntam progressivamente outros cidadãos de vários sectores da sociedade. O movimento dos jovens estudantes começa a tomar proporções tais que o governo central se sente ameaçado. Como resposta definitiva do partido, é decretado para o dia 4 de Junho o desimpedimento total da praça de Tiananmen (o quartel general das forças revolucionarias) a qualquer custo, o que significa o massacre de milhares de jovens.
Wei, que participa em várias manifestações e actividades revolucionárias, no dia em que ocorre o massacre, encontra-se em casa a descansar da vigília na noite anterior na praça de Tiananmen, salvando-se de um final trágico.

Apesar do tema não ser fácil, é um livro que se lê bem, o romance entre a autora e um colega da faculdade faz aliviar a tensão dos acontecimentos políticos e esta é uma boa forma de ficar a conhecer um pouco mais sobre a historia e costumes da china do século XX. O facto da escritora também não ter exactamente participado no massacre, baseando as suas descrições nos relatos dos colegas e nas marcas deixadas na cidade, também contribui para que as imagens não sejam tão pesadas como seria de esperar, embora continuem a ser incomodativas, principalmente pelo facto de esta ser uma historia verídica e de o regime que a fez acontecer encontrar-se ainda no poder, governando um pais onde democracia e liberdade de expressão são ainda palavras proibidas.

O final do livro é na minha opinião demasiado abreviado. Gostaria muito que a autora se tivesse prolongado na descrição dos seus primeiros tempos na América, país para onde fugiu depois dos acontecimentos de 1989.

De qualquer maneira, este é um livro que aconselho bastante.