“Persepolis” de Marjane Satrapi

Terminei há uns dias “Persepolis” de Marjane Satrapi. Este é um livro de banda desenhada absolutamente fantástico e que automaticamente passou para a minha lista de melhores livros de sempre.

O livro consiste na história de Marjane, uma jovem iraniana demasiado rebelde para a sua cultura e que tenta encontrar o seu lugar num mundo cheio de contradições.

A obra divide-se em duas partes: na primeira Marjane mostra-nos a sua infância, inicialmente uma vida simples e liberal, seguida da implementação do regime fundamentalista islâmico após a qual a vida de Marjane sofre enormes alterações, num ambiente de repressão e discriminação sexual, prisões politicas e ausência de liberdade de expressão.

Na segunda parte o Iraque ataca o Irão e os pais de Marjane enviam-na para a Europa com o objectivo de poupar a sua única filha adolescente à guerra, no entanto, os problemas que Marjane enfrenta na Europa, levam-na a regressar, tão ou mais magoada do que se tivesse ficado…

Gostei deste livro por diversas razões. Visualmente, os desenhos são muito simples, no entanto de uma inteligência emocional tremenda, conseguindo transmitir de uma forma fria e crua os sentimentos inerentes às diversas fases. Gostei particularmente da imagem de Deus e da forma como Marjane interage com ele nos desenhos e, talvez de uma maneira mórbida, dos desenhos dos mortos, pela sensação de vazio e perda transmitida na forma como é desenhado o olhar.

Em termos da história em si, é fácil criarmos empatia com Marjane que na realidade é uma anti-heroina, uma vez que uma boa parte do livro é sobre os seus falhanços. Relativamente ao impacto que o livro teve em mim, permitiu-me descobrir um pouco mais sobre o Irão (país que apenas conhecia das noticias sobre as suas experiencias nucleares) e serviu para me fazer tomar consciência do que possa ser viver sobre um regime fundamentalista. Tenho de admitir também que de certa forma quebrou alguns preconceitos que erradamente sentia em relação aos países do médio Oriente…

Sendo assim, aconselho muito este livro, esperando que a sua mensagem possa ser lida e reflectida pelo maior numero possível de pessoas, para que todos tenhamos consciência de realidades que muitas vezes preferimos ignorar.

Nota: o livro foi adaptado para um filme, que tive apenas oportunidade de ver o final mas que me deixou com vontade de ver mais…

Anúncios