“Pássaros feridos” por Collen McCullough

Terminei há dias “Pássaros feridos” de Collen McCullough.

A história desenrola-se na longínqua Austrália, onde acompanhamos a saga da família Cleary e da forma como o destino de três mulheres se repete ao longo de três gerações.

A dor, o orgulho e a resignação passam de mãe para filha, como as estações se sucedem sobre a terra, em ciclos alternados de vida e morte.

Para além dos magníficos quadros, criados por palavras, de uma terra onde a Natureza é dura e poderosa, o que mais me apaixonou neste livro foi exactamente o tema da fatalidade da vida e de como tantas vezes o destino se repete de uma forma irónica, como se fossemos todos meros actores numa grande peça da qual desconhecemos o guião já traçado.

Também agora, a entrar na idade adulta, sinto repetir-se em mim acontecimentos que marcaram a vida da minha mãe, tal como ela o sentiu, embora de outra forma, com a sua mãe, minha avó.

E por isso senti que este livro foi lido na fase ideal para compreender todo o seu significado (embora suspeite que esta seja uma daquelas obras que nos acompanham toda a vida e das quais retiramos diferentes leituras ao longo dos anos…)

Para além do que referi, há passagens deliciosas, que dão vontade de sublinhar e guardar na memória. Termino este post com um desses exemplos:

“(…) É apenas um homem. Vocês são todos iguais, grandes mariposas peludas que se despedaçam no encalço de uma chama tola, atrás de um vidro tão claro que os seus olhos não a vêem. E quando conseguem entrar, aos trancos e barrancos, no interior do vidro para chegar à chama, caem ao chão queimados e mortos. Entretanto, lá fora, na noite fresca, há comida, amor e pequenas mariposas. Mas vêem eles essas coisas? Querem essas coisas? Não! É atrás da chama que correm, até perder os sentidos e morrer queimados por ela. (…)”