Terminei há dias “Pássaros feridos” de Collen McCullough.
A história desenrola-se na longínqua Austrália, onde acompanhamos a saga da família Cleary e da forma como o destino de três mulheres se repete ao longo de três gerações.
A dor, o orgulho e a resignação passam de mãe para filha, como as estações se sucedem sobre a terra, em ciclos alternados de vida e morte.
Para além dos magníficos quadros, criados por palavras, de uma terra onde a Natureza é dura e poderosa, o que mais me apaixonou neste livro foi exactamente o tema da fatalidade da vida e de como tantas vezes o destino se repete de uma forma irónica, como se fossemos todos meros actores numa grande peça da qual desconhecemos o guião já traçado.
Também agora, a entrar na idade adulta, sinto repetir-se em mim acontecimentos que marcaram a vida da minha mãe, tal como ela o sentiu, embora de outra forma, com a sua mãe, minha avó.
E por isso senti que este livro foi lido na fase ideal para compreender todo o seu significado (embora suspeite que esta seja uma daquelas obras que nos acompanham toda a vida e das quais retiramos diferentes leituras ao longo dos anos…)
Para além do que referi, há passagens deliciosas, que dão vontade de sublinhar e guardar na memória. Termino este post com um desses exemplos:
“(…) É apenas um homem. Vocês são todos iguais, grandes mariposas peludas que se despedaçam no encalço de uma chama tola, atrás de um vidro tão claro que os seus olhos não a vêem. E quando conseguem entrar, aos trancos e barrancos, no interior do vidro para chegar à chama, caem ao chão queimados e mortos. Entretanto, lá fora, na noite fresca, há comida, amor e pequenas mariposas. Mas vêem eles essas coisas? Querem essas coisas? Não! É atrás da chama que correm, até perder os sentidos e morrer queimados por ela. (…)”
Suzi said,
Abril 17, 2010 às 8:51 pm
Lura?
quem escreve nesse blog? qual o propósito dele?
Pedro said,
Abril 19, 2010 às 11:38 pm
http://eco-gama.blogspot.com/
Agradeço que sigas este blogue! Trata-se de um projecto na minha escola, e precisamos de dinamizá-lo… Segui-lo é o teu apoio, agradeço-te imenso!
Quanto ao livro, tenho aqui por ler, e com imenso apetite!!! Ainda só não peguei nele pelo tamanho, que algumas vezes não dá jeito…
enzo said,
Abril 25, 2010 às 6:06 pm
Lura,
impressionante como vcs portugueses escrevem bem. Adoro ler os autores portugueses. São muito sensíveis…Pro meu gosto, me atingem muito mais que outros que têm o português como língua mãe….
Margarida Sofia said,
Julho 6, 2010 às 12:57 am
Descobri o seu blog por acaso, numa noite em que não me apetecia trabalhar 🙂
Aproveito o comentário especialmene para deixar uma sugestão. Li quatro dos livros da Collenn McCollough e gostei imenso de todos. Tal como diz são fantásticos os quadros criados por palavras que a autora cria. No entanto este, Pássaros feridos, apesar de aclamado como best-seller, não me pareceu tão bom como “O toque de Midas”. A história é ainda mais apaixonante, nunca deixando de parte a mestria das palavras. Experimente!
Nita said,
Janeiro 7, 2011 às 11:47 pm
oii eu sou a Nita…eu li pássaros feridos por que fiquei intrigada com o nome do livro e foi só começar para não conseguir parar mais…é uma linda e envolvente história de amor…mas ñ o amor dos contos de fadas mas o amor que é encoberto pelas cobiças do dia dia pela ganança mas nem por isso deixa de ser amor…o que eu mais gostei nele foi quando entendi o significado por trás do titulo concerteza foi brilhante…..deixa eu ir ou fico aki até amanhã rs bjossss