“África Minha” de Karen Blixen

Um dos últimos livros que li foi “África Minha” de Karen Blixen. Esta obra reúne as memórias de Karen, durante o período em que geriu uma fazenda em África, na região das montanhas Ngong, longe da sua terra Natal na Dinamarca. Devo dizer que nunca vi o filme razão pela qual a minha opinião é puramente literária.

Em relação ao livro, fiquei desiludida, não propriamente porque o livro fosse mau, mas porque estava à espera de algo completamente diferente. Comecei a ler o livro depois de “Pássaros Feridos” e, à semelhança desta obra, pensava que ia encontrar uma história de amor épica, em que apenas se alterava o cenário para o continente Africano (sim, às vezes ou um bocadinho lamechas, mas só muito de vez em quando :p). Nada mais longe da realidade. “África Minha” não tem romance (ok, talvez um bocadinho…). Tem sim pequenos episódios da vida Africana, que podem parecer-nos a nós, europeus, excêntricos, mas que não estão mais errados do que a nossa própria realidade. Transporta-nos para uma África simples e complexa ao mesmo tempo. A vida, a morte, o destino, a dor, a magia, interligam-se tão profundamente como se se tratassem de uma única massa que envolve todos os habitantes da savana (e das montanhas), homens e animais, num elo que os une e separa.

Há episódios que nos marcam mais que outros. Na minha memória ficou o do rapaz deficiente que Karen adoptou e que empregou como cozinheiro, pela sua peculiar forma de viver com as suas limitações e das incorporar na sua própria visão da vida. Também gostei da gazela meio humana, que faz diluir a fronteira entre o humano e animal e emocionou-me descrição da sepultura do seu amante. Mas definitivamente, a minha parte preferida foi aprender a desenhar cegonhas de uma forma muito engraçada.

Resumindo, apesar do meu desapontamento, penso que é um livro que vale a pena ler. Apesar de nunca ter estado em África, fiquei com uma ideia do que poderá ser viver neste continente misterioso.