“Homens que Matam Cabras só com o Olhar “ de JON RONSON

A minha irmã tem o dom de me oferecer os livros mais improváveis, dos quais desconfio sempre, mas que no fim me deixam sempre profundamente agradecida.

Desta vez calhou-me este “Homens que matam cabras com o olhar”, com um título que curiosamente, é para ser levado à letra. Este livro é na realidade um trabalho de investigação de um jornalista sobre um ramo do exercito Norte Americano que acreditava na utilização de armas psíquicas/esotéricas para intervenções militares.

Desta forma tomamos conhecimento, numa abordagem muito “teoria da conspiração”, sobre o financiamento por parte do governo dos EUA de actividades que parecem ter sido retiradas de uma feira de aberrações ao bom estilo americano, algumas das quais com consequências terríveis.

E é inacreditável pensar que tudo isto possa ser verdade, que temos o nosso destino nas mãos de indivíduos completamente alucinados, apoiados pelas mais eminentes forças internacionais. Faz-nos questionar a verdade por de trás de episódios que todos ouvimos na televisão, como o 11 de Setembro, a Guerra no Iraque, a prisão de Guantanamo ou os suicídios em massa nos EUA.

Este é um livro que se lê muito bem (até para quem não gosta de ler) e que nos deixa realmente a pensar sobre o mundo em que vivemos.

Sei que esta obra foi adaptada ao cinema, no entanto, não vi o filme.

De uma forma ou de outra, aconselho!

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“Comer, Orar, Amar” de Elizabeth Gilbert

Muito antes do filme, este livro apareceu em casa dos meus pais. Na altura achei que devia ser mais um livro lamechas de auto ajuda no entanto, com todo o aparato à volta do filme, decidi pôr os meus preconceitos de lado e perceber porquê este blockbuster literário.

De inicio odiei o livro, as cenas do divorcio, a autora/narradora/personagem principal que não parava de se lamentar… mas depois percebi o sucesso. Férias de um ano totalmente pagas, com direito a uma estadia em Itália com o único objectivo de ingerir as melhores iguarias do mundo, uns meses na Índia num retiro espiritual na busca do verdadeiro eu e uma escapadela paradisíaca no Bali com direito a uma história de amor digna de um conto de fadas, é o sonho de qualquer ser humano à face da terra. Acho que esta é a razão do sucesso do livro, fazer-nos sonhar e acreditar que ainda há milagres (que curiosamente acontecem sempre aos outros…). De qualquer forma, este foi um livro que não me arrependo de ter lido, nem sempre temos de gostar de calhamaços densos e obscuros, por vezes é bom ler apenas coisas que nos fazem passar um bom bocado.

Num aparte, duas coisas ficaram-me da história:
1) Pratico yoga mas, tal como a autora, aldrabo sempre a parte da meditação. Fiquei mesmo a pensar se aquela história de atingir um estado superior capaz de mudar a nossa vida através deste método será mesmo verdade…
2) Nunca cheguei a ver o filme no cinema, mas a cena em que a autora personifica a solidão e a depressão foi mesmo muito engraçada na minha imaginação por isso tenho uma curiosidade imensa em ver como foi tratada no cinema (é possível que tenha simplesmente sido ignorada).

“As Mulherzinhas” de Louise May Alcott

Quando era pequena costumava seguir na TV um anime inspirado no clássico “As mulherzinhas”. Quando descobri que existia o livro (devia ter uns 8 anos), pedi pelo Natal no entanto ofereceram-me uma versão adaptada para crianças que me deixou desiludida e sempre na expectativa de um dia vir a ler o original. Concretizou-se devido a uma promoção na Feria do Livro de 2010 onde finalmente acabei por comprar o original.

Em relação ao livro em si, arrependi-me de não o ter lido efectivamente na infância porque agora, grande parte da magia perdeu-se… As personagens são demasiado bem comportadas, mesmo quando se desviam dos bons costumes e, para além de um romance com um grande sentido de moral, não há muito mais a retirar da obra. Ainda assim, a personagem Jo não me desiludiu, continuou a ser a minha preferida, tanto no livro como na tv, pelo seu gosto pelos livros, imaginação e rebeldia…

Assim sendo, considero este um bom livro para oferecer a uma menina em idade escolar, desapontando um pouco quando crescemos, ao contrário de outras obras como “O Principezinho” ou a “”História Interminável”, estas sim intemporais.