Salman Rushdie ordenado cavaleiro

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Encontrei no blog Mundo Pessoa a noticia de que Salman Rushdie recebeu o título de cavaleiro do Império Britânico no passado dia 16 de Junho. É uma óptima notícia, uma merecida distinção para um grande escritor, infelizmente bastante incompreendido no seu país de origem…

“Ode a Nossa Senhora do Homem” por Hugo Santos

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Pois é, no passado dia 22 de Junho fiz aninhos (até tinha umas coisas catitas para assinalar aqui a data, mas acabei por ficar sem tempo para isso…) e o meu namorado ofereceu-me o livro de poesia “Ode a Nossa Senhora do Homem” de Hugo Santos, autografado pelo próprio 😀

Obviamente que já o li de uma ponta à outra, e não podia deixar de fazer um post com a minha opinião.

Primeiro tenho de explicar a história à roda deste escritor. Eu não fazia a ideia da sua existência, alias, para ser sincera, eu não tenho tido muito boas experiências com os escritores portugueses mais actuais, pelo que acabei por me tornar um pouco preconceituosa (eu sei que injustamente) em relação a estes. Quando comecei a namorar com o Miguel e ele descobriu a minha paixão pelos livros, disse-me que tinha um amigo escritor e começou a emprestar-me os livros de Hugo Santos e foi óptimo…
De inicio devo dizer que não achei muita piada, mas à medida que fui lendo fui gostando cada vez mais e mais e agora é definitivamente um dos meus escritores preferidos.
Sobre a sua escrita, Hugo Santos é actualmente um professor primário reformado que nasceu no Alentejo, e penso que estes dois aspectos da sua vida estão bastante presentes nos seus livros, pelo menos naqueles que li até agora. Este é um escritor polivalente que publica romances, poesia e diários sendo que independentemente da forma, o conteúdo segue sempre aspectos comuns. Hugo Santos é um escritor do sentir, tanto dos cinco sentidos exteriores, como dos sentidos interiores. È o escritor das coisas simples, das nostalgias, da saudade, das utopias, da procura, por vezes da desilusão, principalmente uma desilusão em relação aos valores anunciados após o 25 de Abril e que acabaram corrompidos e invertidos.
As suas personagens despertam em nós um imenso sentimento de empatia e, no meu caso particular, fazem-me sentir de certo modo ligada a elas, aliás, não são só as suas personagens, é toda a sua obra, a força das palavras, a influencia do passado, as nossas relações com aqueles que faleceram, a busca do “Velo d’Ouro” numa montanha que nunca é a última (e que desejamos no fundo que nunca o seja), a nossa fragilidade perante a vida, o aceitar das utopias mas também dos erros que cometemos pelo caminho… Por todas estas razoes, aprecio verdadeiramente a escrita de Hugo Santos.

Durante muito tempo o meu namorado chateou-me para eu o conhecer, mas eu tinha algum receio, porque a ideia que tinha dele era tão boa que não queria estragá-la com a realidade de alguém pretensioso ou a atirar para o arrogante, e tinha também algum medo de fazer figura de parva… Finalmente tive de o conhecer, de uma maneira muito estranha, depois de uma enorme discussão “conjugal”, acabei sem dar conta enfiada na casa do escritor o que resultou, aliviou a tensão entre mim e o Miguel e tive ainda o bónus de conhecer alguém que superou as minhas expectativas, afinal Hugo Santos revelou-se uma pessoa extremamente simpática, muito simples e agradável de conversar, sendo tudo o que fazia transparecer nos seus livros… Até tive direito à oferta de um livro autografado no final da visita :p

Bem, voltando ao livro sobre o qual é o post, a “Ode a Nossa Senhora do Homem” é, como o próprio nome indica, uma ode dedicada à mulher (Senhora) amante, amiga e companheira, a quem o escritor aclama mas também a quem pede protecção e orientação para as dificuldades da existência, sendo no fundo apenas uma forma de criar um poema fabuloso, cheio daquelas máximas que dá vontade de sublinhar, e transcrever vezes sem conta… Um exemplo?! Aqui fica, mas só um cheirinho, porque o livro merece ser comprado e saboreado por inteiro…:

“(…)Ah, Senhora, faz-me crer que a verdade
tem tantos rostos quantos os das dúvidas
que a enformam.
De que serve uma certeza
se não me usar refutá-la?(…)”

Vincent – Tim Burton

Para além do reconhecido valor como cineasta, Tim Burton possui ainda uma veia literária para onde transporta os universos fantásticos e obscuros dos seus filmes. E curiosamente podem encontrar na Fnac (na secção de autores não traduzidos) “The Melancholy Death of Oyster Boy”, um pequeno livro ilustrado com poemas/contos, entre eles o do rapaz ostra.

Uma fã do livro teve a brilhante ideia de o disponibilizar na net num site à altura que aqui deixo.

Encontrei também no youtube a primeira curta metragem de Tim Burton com a sua técnica fetiche de stop-motion.

O poema da curta-metragem foi escrito por Tim Burton e brilhantemente declamado pelo próprio Vincent Price.

Oiçam com atenção porque vale realmente a pena…