“A Sétima Porta” de Richard Zimler

Um dos livros que li durante a minha ausência no blog foi “A Sétima Porta” de Richard Zimler. Este romance surge como uma espécie de sequela de “O ultimo cabalista de Lisboa”, do mesmo autor, embora a sua leitura prévia não seja necessária para compreender “A Sétima Porta” (eu ainda não li…).

Tal como tinha acontecido com “Meia-noite ou o princípio do mundo”, adorei a historia. Continuo a achar Richard Zimler o melhor contador de histórias da actualidade.

A acção desenrola-se inicialmente na Alemanha e no final em Istambul, e compreende o período entre a subida de Hitler ao poder na Alemanha e o fim da II Guerra Mundial.

A personagem principal, aos olhos de quem acompanhamos o desenrolar dos acontecimentos, é Sophele.

No início, Sophele é apenas uma jovem adolescente que vive em Berlim, com a sua mão Russa, o seu pai comunista e o seu irmão mais novo, uma criança autista que Sophele protege e ama incondicionalmente.

Para além dos típicos conflitos entre a jovem e os pais, Sophele possui um espírito irreverente que nem o seu namorado Tony consegue contrariar. Na sua própria diferença, cedo estabelece amizade com um grupo de pessoas “diferentes” e para as quais não existirá lugar no Terceiro Reich. São eles Isac, um judeu que estuda obcecadamente a cabala e os escritos do seu antepassado, Benjamim (do livro “O ultimo cabalista de Lisboa”), uma gigante com a cara deformada, um casal de anões, e várias outras personagens, todos com características pouco toleradas pelo regime (cegos, surdos-mudos, homossexuais…).

Com o desenrolar dos acontecimentos políticos, o pai de Sophele acaba por renegar as suas convicções comunistas e aderir à extrema-direita. No entanto, Sophele identifica-se mais com os seus novos e verdadeiros amigos e, apesar de estar no lado certo da “certo” da barreira, desafia e sistema e assiste impotente ao desenrolar das historias fatídicas de cada um…

Este foi mais um livro que me fez chorar bastante e que serviu para me relembrar uma época da historia da Humanidade que nunca deverá ser esquecida para que não seja repetida.

As atrocidades cometidas foram inúmeras e, ao nos envolvermos com as personagens como Zimler nos leva a fazer, os sentimentos de revolta e dor são ainda mais fortes.

Apesar de existirem diversas obras sobre o tema, esta tem a vantagem de não focar apenas na questão dos judeus, mas todas as outras minorias, poucas vezes referidas na literatura mas que sofreram igualmente.

Aconselho vivamente!

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