Primavera

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Lindo…

Psiu, dêem uma espreitadela aqui!

Primeiro – Como é possível eu não conhecer esta música maravilhosa do grande Caetano!!!

Segundo – Porque que não fui eu a ter a ideia de criar este post???

Lindo…

25 de Abril

Trova do Vento que Passa

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio – é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Por Manuel Alegre

“O Amor nos tempos de Cólera ” de Gabriel Garcia Márquez

Depois de vegetar anos na prateleira, cheguei ao fim de “O Amor nos tempos de Cólera ” de Gabriel Garcia Márquez, livro que, por pura coincidência, comecei a ler poucos dias antes de ver na TV o trailer do filme, baseado no livro e que não sei bem se já estreou ou ainda vai estrear…

De qualquer maneira adorei o livro e só me arrependo de não o ter lido mais cedo, bem, talvez mais cedo não achasse muita piada, acho que para apreciar verdadeiramente o livro, é preciso conhecer o amor, não como ele nos é fantasiado na literatura ou no cinema, mas como ele o é na realidade.

A história é muito simples e aparentemente desinteressante, rapaz pobre, apaixona-se por rapariga rica, pai irritado exila a filha, mas os amantes mantêm correspondência secreta. Quando rapariga, agora mulher, volta, descobre que afinal não ama rapaz. Rapaz jura esperar pelo amor dela, nem que seja por toda a vida. Rapariga rica faz um bom casamento, e quando é bastante velhinha fica viúva, reaparece então o rapaz que agora também é velhinho e que afinal já é rico. Os dois vão fazer uma viagem. FIM.

Agora, o que torna este livro tão especial é a mestria com que Gabriel Garcia Marquez nos conta esta história, onde o amor é revelado em todas as suas vertentes, o amor platónico, o amor para enganar a solidão, o amor como satisfação do desejo, o amor conjugal, o amor na juventude, o amor na velhice, sempre e de todas as maneiras o amor… mas não de uma maneira melosa, antes como ele é, com todos os seus bons e maus, e onde os comentários de um realismo acutilante surgem sempre no compasso certo.

De qualquer maneira e aparte disto, o enredo desenrola-se num cenário que se estivermos com atenção, acaba por ter tanto ou mais impacto do que a historia em si, onde são focadas entre outras, e sempre de uma maneira muito critica, as condições de vidas dos refugiados antilhanos, a volatilidade politica daquela zona em particular, as condições sanitárias no início do Século XIX e as suas consequências ao nível da disseminação de doenças como a cólera, a chacina dos trabalhadores nas grandes plantações da América Latina, a novidade e inovação do inicio de século numa sociedade muitas vezes retrógrada e preconceituosa, o desastre ambiental (com as suas repercussões sociais) provocado pela delapidação da selva pelos lenhadores em busca de combustível para os navios a vapor…

A verdade é que adorei o livro, aconselho-o vivamente e acho uma excelente prenda para oferecer à outra cara metade…

“A CASA DO TEMPO PERDIDO” por Carlos Drummond de Andrade

A CASA DO TEMPO PERDIDO

Bati no portão do tempo perdido, ninguém atendeu.
Bati segunda vez e mais outra e mais outra.
Resposta nenhuma.
A casa do tempo perdido está coberta de hera
pela metade; a outra metade são cinzas.
Casa onde não mora ninguém, e eu batendo e chamando
pela dor de chamar e não ser escutado.
Simplesmente bater. O eco devolve
minha ânsia de entreabrir esses paços gelados.
A noite e o dia se confundem no esperar,
no bater e bater.

O tempo perdido certamente não existe.
É o casarão vazio e condenado.

Por Carlos Drummond de Andrade

As três leis de Newton da Graduação!

in http://www.phdcomics.com/comics/archive.php?comicid=221 (desculpem mas não sei porquê não consigo pôr o link…)

Quino

De volta de Cancun…

…numas férias muito pouco literárias 😛

(Foto tirada da varanda do quarto de hotel às 5h da manhã…)