“O Japão é um lugar estranho” de Peter Carey


Finalmente terminei “O Japão é um lugar estranho” de Peter Carey.

Numa edição portuguesa esteticamente muito bem conseguida, é nos relatado como um pai, neste caso o próprio Peter Carey, é despertado para a nova cultura japonesa pelo seu filho adolescente, levando-os a uma viagem pelo Japão moderno mas pouco convencional.

Devo dizer que gosto de ver um ou outro filme anime e tenho uma pequena paixão pela cultura japonesa, sendo esta uma das razões que me levaram a comprar este livro. Outra foi o destaque que mereceu no blog da livraria Pó dos Livros que tento acompanhar regularmente.

No entanto, talvez pelas expectativas serem tão elevadas, fiquei um pouco desiludida… Praticamente apenas os temas do anime e da manga japoneses são abordados o que, penso, limita um pouco livro, e por fim, a obra não trás realmente nada de novo, o autor não consegue compreender aquele Japão fechado e misterioso, e muito menos nós, que ficamos com a mesma sensação de vazio e ignorância que, na minha opinião, não é o que se pretende de um livro.

No entanto nem tudo foi mau, e para os verdadeiros apreciadores do género, talvez tenha o seu interesse.

Das minhas passagens preferidas, destaco a visita ao artesão de espadas samurai (embora mais uma vez aqui as explicações são vagas e incertas) e uma descrição dos violentos ataques Americanos ao Japão durante a segunda guerra mundial. Esta passagem em particular impressiona, porque nos recorda que os supostos “polícias do mundo” foram a única nação a utilizar a bomba atómica e que na guerra milhares de inocentes são arrastados para um destino que nada lhes diz…

Só uma nota final, o autor foi premiado anteriormente duas vezes com o conceituado prémio Booker Prize, com os livros “Óscar e Lucinda” e “A Verdadeira História do Bando de Ned Kelly”. Esta foi a primeira obra do autor que li e penso dar-lhe o benefício da dúvida, experimentado uma das duas obras premiadas.

“A maldição dos faraós” de Elizabeth Peters


Terminei à uns dias “A maldição dos faraós” de Elizabeth Peters. A razão pela qual decidi experimentar este livro teve a ver com a minha curiosidade pelo antigo Egipto e pela necessidade de ler livros que me absorvessem e me fizessem deixar de pensar nos problemas do trabalho, papel que esta obra desempenhou na perfeição. Li o livro num tempo recorde, tendo em conta as horas a que chego a casa, sempre com níveis de cansaço muito elevados.

A obra narra a história de um casal de arqueólogos excêntricos e aventureiros que a paternidade sujeitou a uma vida luxuosa mas aborrecida na Inglaterra dos finais do século XIX. No entanto, o apelo de um túmulo recentemente encontrado, em que o responsável da escavação morreu vítima de uma suposta maldição, foi mais forte e decidem aceitar o convite da viúva para prosseguir com as escavações. No Egipto as mortes sucedem-se e a intriga adensa-se mas no final, como não poderia deixar de ser, o verdadeiro assassino é descoberto.

A fórmula usada pela autora é bastante simples, o livro tem todos os ingredientes para cativar e prender uma pessoa, embora tenha sentido muitas vezes que não estava a ser escrito realmente nada de novo e o final se tenha revelado demasiado previsível.

Ainda assim, este livro proporcionou-me boas horas de entretenimento com o bónus de aumentar ligeiramente os meus conhecimentos sobre a civilização egípcia.

Feira do livro 2009

Embora venha um pouco fora de prazo, não podia deixar de comentar por aqui a minha ida à Feira do Livro de Lisboa.

A primeira diferença em relação aos anos anteriores foi o facto de, como tenho de trabalhar durante a semana, ter ido apenas duas vezes e ao fim de semana, ao contrário dos outros anos em que ia várias vezes sempre durante a semana. Descobri que a feira ao fim de semana é o caos, com muita gente, muitos carrinhos de bebe a atrapalhar o caminho e livreiros apressados… também a alteração do calendário não foi particularmente positiva, quase não me apercebi que ia acontecer e fiquei com a sensação que chegou ao fim muito mais depressa…

Em relação a compras, rendeu como sempre (excepto para a minha carteira…).

A primeira aquisição foi “A herança do vazio” de Kiran Desai, vencedor do Man Booker Prize em 2006 e que estava na minha lista de compras desde esse ano.

Depois passei pela tinta da china e comprei “O Japão é um lugar estranho” de Peter Carey, também ele vencedor de dois Man Booker Prize.

Comprei também um volume de Zits e outro da Mafalda para preencher a minha falta de BD na minha casa nova, uma vez que na casa dos meus pais a banda desenhada era praticamente toda da minha irmã.

O do zits já li todo e para variar adorei. Gostava que o meu scanner funcionasse para por aqui as minhas tiras preferidas, mas por enquanto não é possível…

Há duas editoras onde vou todos os anos obrigatoriamente e onde adquiro sempre pelo menos um livro: a Difel e a Fenda, a primeira pela selecção perfeita de autores, a segunda pela originalidade das obras. Este ano infelizmente não comprei nada na Fenda porque o livro que queria, “Super naif”, estava demasiado caro e o dinheiro começava a faltar, na segunda decidi experimentar uma nova autora, Elizabeth Peters com “A maldição dos faraós”. Como o nome sugere, este é um livro sobre suspense e mistério tendo como pando de fundo a escavação de um túmulo egípcio nos finais do século XIX.

Apesar de não gostar dos stands e não concordar com a filosofia de vendas, tive de passar pela Leya, porque apesar de tudo, ainda têm autores que me interessam. Comprei “A sétima porta” de Richard Zimler, um dos meus autores preferidos. O livro estava muito barato e só quando cheguei a casa percebi porquê, a contra-capa estava descolada e as folhas a soltarem-se. Felizmente um bocadinho de bricolage do meu namorado resolveu

Por fim, gastei os meus últimos trocos em dois álbuns para finalmente por alguma ordem na minha colecção de selos. De bónus recebi vários selos de oferta o que é sempre bom :)

“O Tigre Branco” por Aravind Adiga

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Terminei há uns dias “O Tigre Branco” de Aravind Adiga e devo dizer que tudo o que é dito sobre esta obra é verdade. Para quem o lê é difícil imaginar que este é o primeiro romance do autor, tal a maturidade da escrita, a consistência da história e o desencadeamento dos acontecimentos.

A narração é feita na primeira pessoa, através do próprio “Tigre Branco”, numa conversa fictícia com o primeiro-ministro chinês de visita à Índia. A história que conta desenrola-se desde a sua infância numa das zonas mais pobres da Índia, até ao seu estabelecimento como empresário de sucesso em Bombaim. No entanto, esta não é uma história cor de rosa e romanceada, nem a Índia que nos é dada a conhecer é aquela que idealizamos nos cartazes turísticos das agencias de viagem. Este livro desnuda a realidade indiana, escondida por detrás dos panos da modernidade. Uma Índia que vive e se governa com base da exploração de uma grande fatia da população, encurralada num sistema que os aprisiona num “galinheiro” do qual é impossível escapar. E isto tudo não por falta de oportunidades mas sim porque neste país a pobreza, mais que física, é mental. As pessoas são mantidas na ignorância, sujeitando-se a regras cruéis e é este processo que torna este país no mais actual caso de sucesso tecnológico e de empreendorismo.

A escrita de Aravind Adiga é simples e fluida, cheia de ironia e com laivos de um humor negro como as águas contaminadas da Mãe Ganges. È um livro que nos faz repensar a Índia mas também todo o mundo ocidental civilizado.

Um livro sem dúvida a não perder.

Olhem o que encontrei…

Um dos meus quadros preferidos…

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Versão Mutts :D

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“A História Interminável” de Michael Ende

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Em relação a este livro, devo começar por dizer que em criança era uma grande fã do filme. O livro fui encontrá-lo numa prateleira de um alfarrabista que existia no Rossio, junto ao Coliseu, e que infelizmente já fechou… A coincidência engraçada é que o livro começa exactamente assim, com Bastian (o personagem principal) a roubar (como é obvio eu comprei) exactamente o livro da história interminável num alfarrabista.

Em relação à história em si, adorei. É difícil fazer um resumo sem contar toda a história e estragar a surpresa, no entanto, posso dizer que este foi um livro que tive pena de não ter lido enquanto criança, porque é um verdadeiro livro de histórias encantadas de príncipes e princesas, dragões e guerreiros. Mas é muito mais que isso e lendo-o enquanto adulta permitiu-me compreender a verdadeira mensagem do autor.

Basicamente este é um livro que nos recorda de sermos crianças e da magia que se perde à medida que vamos crescendo porque nos afastamos de “Fantasia”. Ensina-nos também que devemos ter muito cuidado com os nossos desejos e ambições. Bastian segue de desejo em desejo em busca do seu verdadeiro caminho. Também nós nas nossas vidas definimos objectivos que vamos alcançando, e no fundo, os nossos objectivos não são muito diferentes dos de Bastian: força, coragem, admiração, beleza, inteligência, poder… e tal como Bastian, muitas vezes o alcançar dos nossos objectivos não nos trás o que esperamos e apenas nos faz querer mais e mais fazendo-nos trair aqueles que mais gostamos e esquecer aquele que deve ser o nosso maior desejo: o desejo de amar e é exactamente essa a grande mensagem do livro.

Em relação a isto, o aviso que o escritor nos deixa é que, à semelhança de Bastian, podemo-nos perder pelo caminho e acabar na cidade dos antigos imperadores, ou seja, esquecermo-nos de quem realmente somos e dedicarmo-nos obsessivamente a actividades desprovidas de verdadeiro sentido (não vos recorda por vezes a obsessão com o trabalho?!)…

Este é de facto um livro fantástico, que nos faz sonhar e repensar a nossa atitude no mundo. Aconselho muito!

Maitena

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Prémio a mim :p

Foi-me concedido pelo blog Nlivros, o selo/prémio :

666

Associado a este Prémio, existem algumas regras:

1. Linkar a pessoa que o/a indicou;
2. Escrever as regras no blogue;
3. Contar 6 coisas aleatórias sobre si;
4. Indicar mais 6 pessoas e colocar os links respectivos no final do post;
5. Deixe a pessoa saber que a indicou, deixando um comentário para ela;
6. Deixe os indicados saberem quando você publicar seu post.

Respondendo à regra numero 3:

- Adoro livros (não se nota?! :p)

- Sou muito esquisita com o que bebo porque não gosto de quase nada (não bebo chá nem bebidas com álcool e não morro de amores por bebidas com gás. Sobra o leite, a água e os sumos naturais…)

- Acredito no destino (e no Karma à Earl :p), que nada acontece por acaso e que não devemos desperdiçar as oportunidades que nos são dadas…

- Gosto muito muito de viajar

- Tenho o péssimo hábito de querer fazer tudo ao mesmo tempo… Inscrevo-me num sem número de coisas a achar que consigo dar conta do recado, e ás vezes sai asneira…

-Quando era pequena, gostava de ser escritora quando crescesse. Como a falta de jeito manteve-se, tornei-me Enga. do Ambiente.

Quanto aos links, deixo só 3:
- Pinguim Azul
- Moura aveirense - que já recebeu o prémio uma vez…
- O Cantinho do Bookoholic

Como gostava de ser borboleta…

“O Lago sem Nome” por Diane Wei Liang

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Terminei ontem “O Lago sem Nome” de Diane Wei Liang.

Esta é uma obra/documento sobre o massacre na Praça de Tiananmen em 1989 o qual a própria autora, Wei, viveu muito próximo.

A história inicia-se muitos anos antes, durante a infância de Wei num campo de trabalho forçado, para onde os seus pais foram enviados durante a revolução cultural chinesa. Nesta parte fica-se com uma impressão bastante clara deste período negro da história da China em que os intelectuais eram forçados a trabalhar no campo, impedidos de exercerem a sua profissão ou prosseguirem os seus estudos, sofrendo inúmeras humilhações. Apesar das dificuldades, Wei consegue entrar na Universidade de Beijing como uma aluna brilhante terminando os seus estudos em 1989.

No entanto, este é um ano de muitas mudanças, e ideias revolucionarias de liberdade e democracia começam a formar-se nas mentes dos jovens estudantes universitários. Surgem então diversas iniciativas e manifestações pacíficas às quais se juntam progressivamente outros cidadãos de vários sectores da sociedade. O movimento dos jovens estudantes começa a tomar proporções tais que o governo central se sente ameaçado. Como resposta definitiva do partido, é decretado para o dia 4 de Junho o desimpedimento total da praça de Tiananmen (o quartel general das forças revolucionarias) a qualquer custo, o que significa o massacre de milhares de jovens.
Wei, que participa em várias manifestações e actividades revolucionárias, no dia em que ocorre o massacre, encontra-se em casa a descansar da vigília na noite anterior na praça de Tiananmen, salvando-se de um final trágico.

Apesar do tema não ser fácil, é um livro que se lê bem, o romance entre a autora e um colega da faculdade faz aliviar a tensão dos acontecimentos políticos e esta é uma boa forma de ficar a conhecer um pouco mais sobre a historia e costumes da china do século XX. O facto da escritora também não ter exactamente participado no massacre, baseando as suas descrições nos relatos dos colegas e nas marcas deixadas na cidade, também contribui para que as imagens não sejam tão pesadas como seria de esperar, embora continuem a ser incomodativas, principalmente pelo facto de esta ser uma historia verídica e de o regime que a fez acontecer encontrar-se ainda no poder, governando um pais onde democracia e liberdade de expressão são ainda palavras proibidas.

O final do livro é na minha opinião demasiado abreviado. Gostaria muito que a autora se tivesse prolongado na descrição dos seus primeiros tempos na América, país para onde fugiu depois dos acontecimentos de 1989.

De qualquer maneira, este é um livro que aconselho bastante.

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